Meu Infinito Particular


Fingerprints

O meu medo de te perder é tão grande que me tira o sono a noite, que me tira a atenção da vida e me tira do chão. Eu tenho medo de mim, entende? Da minha personalidade, das coisas que eu falo efaço. Tenho medo de ser um poço de veneno. Eu tento me segurar, não ser esse monstro que eu sou, mas as vezes isso é mais forte que eu.

Ah, não sei, não sei mesmo..cansei de ser a minha causadora de problemas



Escrito por R. Priolli às 15h17
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O mundo para ele.

Ele era cruel e frio, sim, ele sempre soube que o mundo podia lhe reservar péssimos momentos. Mas ele era mais forte, por isso o mundo nunca o enguliu, por isso ele nunca passou pela apertada garganta do mundo. O mundo adorava brincar com ele, lhe pregando peças, lhe aplicando tormentos e tentando sempre lhe passar a perna num momento de fraqueza para lhe consumir. Mas o rapaz era mais sagaz que o mundo. Ele passava por tudo aquilo com grandes gargalhadas. Nada era impossivel para ele. E isso ele podia provar pra quem fosse, o mundo estava abaixo de seus pés e não sob suas costas.



Escrito por R. Priolli às 01h38
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O mundo para ela.

O mundo, ela morria de medo dele. Ele seu maior inimigo, seu maior assassino. Assassino de sonhos, de amores, de desejos e de felicidades. Ele sempre a impossibilitou de tudo, a culpa era do mundo e de quem mais seria? Ele a levava à lugares inabitáveis, sujos e vazios. O mundo era cinza, era marginalizado. Ela aprendera aqui com dificies liçoes, mas ela nunca desistira dele, sempre o enfrentava de cabeça erguida, mas o mundo foi sacana com ela. Lhe jogou num buraco sem fundo, num universo paralelo e dela levou tudo que um dia amara, tudo que um dia sentira. Ela, graças ao mundo, não sentia, não vivia e não respirava. Ela aprendeu, do pior jeito, que com o mundo não se brinca.



Escrito por R. Priolli às 01h34
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Ele.

Seus caixos estavam bagunçados, proporcionalmente e intensionalmente. Seus olhos tinham um brilho diferente, uma cor nova, quase cinza e seu sorriso quase nunca saia de seu rosto. Sua roupa era bem cuidada, bem lavada e bem passada, demonstrando o carinho de uma mãe coruja. Ele sempre sorria, ele sempre ria, sempre conversava com todos. Era um rapaz maravilhoso, inteligente, entendendor de cinema e de livros. E nunca fugira de nada, nunca se escondera de nada, ele aprendera com a vida a dar a cara a tapa. Ele agora se olhava no espelho, sorrindo para sí e lembrando dos doces dias de outono, dos claros dias de inverno, dos aconchegantes dias de primavera e dos dias excepcionais de verão. Agora ele percebera, ele se tornara tudo aquilo que mais amava, tudo que mais desejava o construia, o fazia ser ele.



Escrito por R. Priolli às 01h28
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Ela.

Seus cabelos estavam grandes, maiores do que pensara. Suas unhas estavam descacadas, com um resto de uma cor estranha e suas olheiras mais profundas. Seu vestido branco estava quase marrom, jogado em seu corpo, mostrando falta de amor e cuidados. Estava vestindo-a apenas, sem simbolismo, sem beleza, só a cobrindo. Seus dedos finos tocavam toda a superfície, daquilo que um dia fora seu sorriso. O espelho era cruel com ela, mostrava tudo que ela tentava ocultar, tentava não se lembrar e se escondia sempre. Tudo aquilo que ela recusou, que ela fugiu e que ela deixara pra trás agora vinham num turbilhão de imagens, sons, cores e cheiros na frente do espelho. Tudo que ela sempre odiara estava ali, grudado nela. Então ela reparou...ela havia se tornado tudo que um dia ela odiara.



Escrito por R. Priolli às 01h22
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O sofrimento é o nosso meio de vida porque é o único meio através do qual temos consciência de existir, a lembrança dos sofrimentos passados nos é necessária como um testemunho, uma prova de que continuamos a manter a nossa identidade.

Oscar Wilde



Escrito por R. Priolli às 22h05
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Férias de mim

Não tem ser humano mais odioso do que eu, não tem ser humano mais
desnecessario que eu.
Não há.
E o pior de tudo? É que eu não posso escapar de mim, não posso tirar
férias de mim ou até me ignorar.
Porque? Alguem me diz porque eu nao posso me esconder de mim, cortar
relações comigo?
Tirando o fato de ser insuportável a convivencia com quem se odeia.



Escrito por R. Priolli às 18h57
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Oh Admirável Mundo Novo

E relendo esse livro, fiquei - me a pensar, de fato, o modo estruturado da sociedade do livro, dá mesmo pura felicidade, que é o nós sempre procuramos. Mas ao mesmo tempo pensamos, como vivemos em uma sociedade, todos devemos ser feliz certo? Não somos mais ou menos que qualquer ser humano, mas para isso teríamos que ter as mesmas felicidades e praticamente os mesmos pensamentos para "aceitar" essa felicidade nula. Mas é estranho, porque a infelicidade é parte da felicidade, mesmo sendo o oposto dela. Digo, se você não tem a infelicidade você não tem o prazer dos curtos momentos de felicidade.

Assim a felicidade vale menos, tendo ela 24 hrs. Acho que eu não aguentaria ser feliz 24 horas, a solidão e a dor nos fazem realmente mais fortes e nos fazem ver coisas maiores, com outros olhos e sentir de outros meios. Eu não prefiro ser feliz ou infeliz. Ambos são extremos, e extremos são demais, machucam, gosto do meio termo de quando é pra sentir dor, eu sinto e quando é pra rir eu rio. Estranho, sou de fato muito estranha.



Escrito por R. Priolli às 18h37
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Era de manhã, eu já havia acordado, eu seguia pela rua, sozinha, como sempre, sozinha. Estou sempre sozinha, isso nunca fora problema, mas se tornou um problema logo depois que eu pensava não estar sozinha. Isso se tornou uma bola de neve que corre atrás de mim e tenho certeza que um dia ela vai me pegar. Mas, vou deixar ela me persiguindo porque passar por isso sozinha eu faço desde sempre.

 



Escrito por R. Priolli às 19h04
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16,ontem

Fiz 16 ontem e nem fez diferença, só o fato que me fez rir foi ... um ano mais perto da morte, não sei porque, fiquei rindo



Escrito por R. Priolli às 22h08
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Não sei, tempo fechado me mata de tédio e me insere numa forma de caos desconhecida por muitos. Só aqueles que convivem com o tempo terrivelmente fechado. Me coloca em contradições internas, e eu não gosto disso. Me deixa contra mim mesma e contra tudo.

Escrito por R. Priolli às 19h41
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Era isso, não havia ninguém na rua, apesar de ser oito horas da manhã.São Paulo consegue ser vazia mesmo com 10 milhôes de pessoas. E tudo se resumia a uma caminhada até o ponto de ônibus, muito vento e um frio horrível. Era isso, isso que eu queria todos os dias, só ter eu a rua, eu e o vento, eu as nuvens encobrindo o sol.

A raiz desbotada, o cabelo despenteado, o olho pintado e as unhas descascadas.Como é díficil, sentar, levantar, respirar, andar.Me sinto sozinha no mundo e pela primeira vez em anos isso não me causa tormento. Me trás paz, de uma forma que nunca senti, me trás calma. São nesses curtos perídos de tempo em que eu penso, que eu começo a conhecer a mim mesma. Alguns meses atrás eu provavelmente estaria mergulhada num profundo caos por estar sozinha no mundo, hoje isso já faz parte, é como um pedaço de mim, e eu gosto.

tão simples mas tão complexo.

 



Escrito por R. Priolli às 15h01
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Nirvana

Ele chegou no nirvana, em um momento inesperado, em um dia inesperado e num local completamente inesperado.Seus pulmões estavam cheios de ar, seus olhos fechados, seu coração batia lentamente. Ele esperou por aquilo por anos a fio, se dedicou completamente.Mas agora estava ele, no meio de uma multidão chegando ao seu auge espiritual.Sua mente se clareou, ele parecia flutuar, seu corpo inteiro relaxou. Tudo parou! O mundo parou! A cidade inteira calou-se! O mar, o furioso mar, se acalmou. Tudo se movia conforme suas leves batidas do seu coração. Nunca se sentiu tão completo e tão vazio ao mesmo tempo.

O que seria da vida dele depois dessa experiencia inesperada e maravilhosa? Como ele iria encarar o mundo depois disso? Como ele iria olhar para sua mulher depois disso? E como ele iria se sentir depois disso? Enquanto essas questões flutuavam em volta dele, para depois invadirem com força sua cabeça, seu coração ia diminuindo, sua respiração ia ficando mais e mais baixa e seu corpo cada vez mais perto de uma linda luz, uma luz de uma cor inexplicável.Uma cor inexistente, uma cor que ele sempre procurara.

Mas ele não chegou a saber como encararia tudo e todos depois de seu nirvana. Seu coração muito cansado de ser mal tratado, quis ter um tempo de descanso, depois de tanto sofrimento.



Escrito por R. Priolli às 23h07
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Janelas

Abra suas janelas, independentes de serem as janelas de sua casa, de seus olhos, de seu coração ou de sua alma.
Abra-as para um mundo,talvez um mundo cruel talvez um mundo amável, afável.Mas abra-as sem medo do que possa acontecer.
Sem medo de errar, de perder ou de ganhar.Suas janelas abertas iram lhe mostrar caminhos maravilhosos a seguir, podem ser dóceis com gosto de mel, azedos como limões ou apimentados.
Mas essa mescla de sabores você só sentirá caso abrir suas janelas.Abra-as tambem para sentir o cheiro, o cheiro de um perfume, o cheiro de uma cidade ou o cheiro de uma pessoa.
Abra-as para sentir, um toque de alguém conhecido ou de alguém desconhecido.De alguém amado ou de alguém odiado.
Deixe suas janelas abertas ao abrir do sol, para o calor te aquecer e feche-as antes do escurecer, mas talvez as abra durante a madrugada para sentir um pouco do orvalho da madrugada para te acordar, para te fazer sentir.
Existem pessoas que já nascem com suas janelas abertas, outras não.Mas aos poucos vão abrindo-as.Outras as deixam encostadas para sempre dar uma espiada no que há do outro lado.
Outras nunca as abrem.Algumas janelas se enferrujam outras precisam ser pintadas de novo e outras precisam de um novo conserto ou de outro alguém para espiar o outro lado com você.

Como está sua janela hoje?



Escrito por R. Priolli às 18h30
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Room on Fire

Parecia tão acordado.Aquelas coisas pareciam tão inéditas.Aqueles passos pareciam tão dificeis.Tudo que era novo era tão clichê.Tudo o fazia sentir diferente.O tempo corria mas seu desejo era para-lo para todo o sempre.Fugir de tudo que parecia lhe infligir.Ele nasceu para pertencer a lugar algum e a pessoa alguma.Ele era tão diferente e ao mesmo tempo tão igual. Nada  o acalmava.

Ele adquiriu o hábito de só sair a noite, de só usar preto e de só fumar cigarrilhas.Ele odiava música, sentia tanto ódio por barulhos e sons do que por qualquer pessoa na terra.Odiava qualquer mínimo som, qualquer ruido.A única coisa que lhe agradava sempre foi suas memórias perdidas, seus sonhos, seu mundo imaginário.

Ele se imaginava ser de outro lugar, outro lugar muito longe daqui.Onde só havia silêncio e escuridão.A única coisa que iluminava seu pequeno e único mundo era o fraco reflexo da lua minguante sobre o longo mar sem fim.Seu imaginário mundo a parte, ele vivia em um pequeno apartamento no centro. cheio de cortinas pesadas de veludo por onde a luz do sol nunca ousou ao menos espiar.



Escrito por R. Priolli às 18h56
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